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O Patologista do Século XXI

Conceitualmente, o Patologista é aquele que estuda as doenças.

Sua atuação pode ser acadêmica (científica ou docente) ou prática na forma de interpretação de amostras de células ou tecidos com finalidade de diagnóstico em pacientes.

Com o passar do tempo e aumento da complexidade das ferramentas e tecnologias de diagnóstico, o campo de atuação do Patologista se estreitou, saindo de todas as formas de estudo para restringir-se às condições onde a(s) hipótese(s) diagnóstica(s) por parte do médico assistente requeiram a interpretação de técnicas que incluam análise morfológica, imunológica ou molecular sobre lâminas de tecidos ou células.

Por outro lado, o escopo da medicina diagnóstica avança continuamente em outras áreas de atuação, por exemplo, diagnóstico por imagem (radiologia), bioquímica, demais ramos das análises clínicas laboratoriais, entre outras.

Em meados do século XX, a maior importância do Patologista se resumia a docência, estudos pós-mortem e aos diagnósticos de neoplasias e lesões pré-neoplásicas. Nestas duas últimas, a morfologia sempre foi (e continua sendo) elemento chave para classificação destes grupos de doenças.

Desde então, muito conhecimento foi adquirido, sendo que hoje a tendência (sobretudo na oncologia) é a medicina personalizada, ou seja, oferecer o melhor tratamento para cada paciente. Neste novo contexto, o patologista não só indica qual a doença mas também auxilia a escolher o melhor tratamento baseado nas suas análises.

Um exemplo clássico é o Câncer de Mama: é uma única doença ou várias doenças agrupadas sob um único nome? O Patologista tem a resposta. E desta resposta, o médico que assiste o (a) paciente depende para indicar o melhor tratamento! 

Neste mesmo exemplo do câncer de Mama, ao menos 7 fatores classificadores da doença saem do laboratório de Patologia:
     1. Tamanho do Tumor;
     2. Tipo Histológico do Tumor;
     3. Grau Histológico do Tumor;
     4. Existência e Características de Disseminação da Doença para Gânglios da Axila;
     5. Existência e Quantificação de Receptores de Estrogênio nas Células da Lesão;
     6. Índice de Proliferação das Células da Lesão;
     7. Quantificação da Expressão da Proteína Her2 ,...

De posse destas informações, pode-se decidir pela necessidade e extensão de cirurgia, quimioterapia, radioterapia, bloqueio hormonal e tratamentos sistêmicos com drogas específicas.

Ainda assim, mesmo tendo a mesma doença, duas pessoas diferentes podem ser tratadas, idealmente, de forma diferente levando-se em consideração tanto as características da doença em, quanto as respostas do restante do corpo, ou seja as células e tecidos não doentes.

Por exemplo, no câncer de pulmão, o Patologista ajuda a dizer se o tumor está escapando do sistema imunológico do hospedeiro (paciente) através de um exame chamado PDL-1. Nestes casos, há indicação de uma modalidade recente de tratamento que se chama imunoterapia!

Cada achado laboratorial estudado pelo Patologista pode constituir-se de um fator prognóstico (algo que ajude a prever como a doença se comportará) e/ou preditivo (algo que ajude a prever a resposta da doença a determinado tratamento específico).

Neste novo ambiente de integração entre o paciente, seu médico assistente e os achados estudados na doença, o Patologista recebe um papel de destaque na condução das escolhas terapêuticas trabalhando como um consultor em benefício do paciente.

Texto escrito pelo médico patologista Dr. Guilherme Portela Coelho - CRM 23795. 

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