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Impacto da Pandemia nos diagnósticos do Câncer

Dados referentes aos exames diagnósticos na área de Patologia do Grupo Diagnose visando a quantificar o impacto da pandemia da COVID-19 no segmento da Anatomia Patológica e Citopatologia, com ênfase no diagnóstico precoce e na prevenção de novos casos de câncer:

Cabe ressaltar que as chances maiores de cura do câncer ainda dependem essencialmente do diagnóstico do mesmo em estágios iniciais (precoce) e que a prevenção é indubitavelmente preferível ao tratamento deste tipo de doença. A prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais tanto do ponto de vista de promoção da saúde do indivíduo quanto para gestão pública de saúde onde o custo de um tratamento oncológico é imensamente superior ao de medidas de rastreio do câncer, com fazemos na Patologia.

COLO UTERINO:
Citologia cérvico-vaginal
Exames alterados requerendo intervenção clínica (*)
Abril/2019: 36
Abril/2020: 15
Redução relativa (%) 58,33

*As lesões diagnosticadas como LEIAG (lesão esacamosa intraepitelial de alto grau) e ASC-H (atipias em células escamosas de significado incerto que podem corresponder a lesão de alto grau) são de um grupo de alterações diagnosticadas no exame citopatológico cérvico-vaginal (conhecido como “preventivo do câncer de colo uterino” ou “Papanicolaou”) que demandam aprofundamento da investigação para prevenir o desenvolvimento de cêncer de colo uterino. No caso da LEIAG, pode-se afirmar que a lesão precursora do câncer já está presente naquela paciente. A quantidade de diagnósticos de ambas (LEIAG e ASC-H) caiu dramaticamente quando se comparam os meses de abril de 2019 e 2020, por efeito da COVID-19, não significando que as lesões precursoras do câncer de colo diminuíram na população, mas que simplesmente não estão sendo diagnosticadas.

ASC-H
LEIAG
ABR/2019: 19
ABR/2020: 6
ABR/2019: 17
ABR/2020: 9
 
Se estes dados se mantiverem por muito tempo, podemos tem um aumento de cerca de 50% nos casos onde não conseguimos prevenir o desenvolvimento de câncer de colo uterino ou, ainda pior, de fazermos o diagnóstico deste tipo de câncer em estágio avançado. A situação pode tornar-se ainda mais dramática pois estes diagnósticos são perdidos em pessoas jovens. No nosso banco de dados, as pacientes tiveram média de idade de 42 anos ao receberem um diagnóstico inicial de lesão precursora de colo uterino em abril de 2019.

MAMA:
Biópsias de mama – Casos positivos para Câncer (**)
Abril/2019: 35
Abril/2020: 17
Redução Relativa (%) 51,43

** No caso do diagnóstico de câncer da mama, onde se almeja a precocidade para aumentar as chances de cura, a redução de diagnósticos também é observada quando se comparam os mesmos períodos (abril de 2019 e abril de 2020). Se mantivermos a queda de quase 50% no diagnóstico dos casos novos de câncer de mama por muito tempo, a consequência será um grande aumento da mortalidade por conta desta doença, acompanhada de elevação substancial dos custos do sistema de saúde que terá que lidar com maior proporção de casos avançados.

PRÓSTATA:
Biópsias de próstata – Casos positivos para Câncer (*)
Abril/2019: 38
Abril/2020: 12
Redução Relativa (%) 68,42

* O diagnóstico de novos casos de câncer da próstata teve redução de 68% (!)

 Na área de diagnóstico de câncer do trato gastrointestinal, por conta da interrupção dos procedimentos de endoscopia digestiva, os dados apontam uma redução próxima de 40% nos diagnósticos de câncer (esôfago, estômago e intestino).

Estes dados são alarmantes pois, se continuarmos subdiagnosticando os novos casos de câncer, corremos o risco de termos que enfrentar uma epidemia de casos de câncer avançado, com impacto na saúde das pessoas e nos já escassos  recursos do nosso sistema de saúde.

 

Médico patologista Guilherme Portela Coelho - CRM: 23795

 

 

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