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COVID-19 e o isolamento social

A Geneticista Cinthya Sternberg, do Rio de Janeiro, publicou um conteúdo muito adequado ao momento, com relação ao Coronavírus. Reproduzimos aqui, na íntegra, no intuito de levar informação clara a todos.


VOCÊS NÃO ESTÃO DE FÉRIAS!
Eu não sei mais como fazer para as pessoas entenderem, mas vamos lá... vai ter textão.

- Existem pessoas realmente assintomáticas (nem uma melequinha escorrendo, nenhum sintoma) que estão transmitindo o vírus e o estudo mostrando isso foi publicado na Science (https://science.sciencemag.org/content/early/2020/03/13/science.abb3221) , não é achismo dos cientistas. Isso tem implicações drásticas na maneira como entendemos a transmissão, a doença, a disseminação na comunidade e a persistência do vírus em superfícies. Inclusive, vale lembrar que o artigo recente que analisa a permanência de corona vírus nas superfícies, não incluiu o COVID-19 (responsável pela pandemia atual). Então não adianta limpar a mão e não limpar o celular, já que não sabemos quanto o vírus duraria aí.

- Cada pessoa pode transmitir para 2-3 pessoas, com muitos indivíduos super-transmissores presentes nas populações. Super-transmissores são pessoas que podem infectar de 15 a 20 pessoas apenas "passando de bobeira por aí” - como demonstrado no Canadá. Infecções assintomáticas são um grande fator agravante, pois isso significa que podemos estar em uma reunião com pessoas sem sintomas e ser infectados, pois o vírus permanece no ar e pode ser transmitido por gotículas (que são relativamente grandes e transportadas pelo ar, não permanecem sustentadas e caem no ambiente - superfícies em geral) e possivelmente por aerossóis (que são gotículas bem pequenas, também transportadas pelo ar e que se mantém em suspensão por um longo período de tempo e percorrem longas distâncias). A fração de transmissão por gotícula, aerossóis e contato é atualmente desconhecida e, além disso, outros meios de transmissão são possíveis, como por exemplo a transmissão fecal-oral, considerando o caso da SARS1. Os coronavírus são normalmente transmitidos principalmente por uma grande disseminação de gotículas, mas esse é um novo vírus e parece ter outras rotas. O papel dos super transmissores é complexo e pode operar gerando uma enorme quantidade de aerossóis de persistência no ambiente.
- Não sabemos ao certo se pessoas podem ser re-infectadas.
- SARS-1 foi eliminado por três motivos: 1) animal intermediário conhecido; 2) os hospitais estavam se comportando como centros de inoculação e procedimentos higiênicos foram aplicados; 3) a transmissão da sars1 seria iniciada 24 a 36 horas após o desenvolvimento da doença clínica e, consequentemente, a quarentena e o rastreamento de contatos permitiram isolar as pessoas em tempo suficiente. A combinação de bloquear os três níveis de propagação levou a transmissão a cair e o vírus a se extinguir. No caso do corona, ainda não temos nenhuma das 3 possibilidades. Para piorar as coisas, agora podemos começar a infectar outros animais que podem se tornar novos reservatórios. Simplesmente não sabemos.
- A infecção deve desacelerar durante o verão nos EUA e Europa, pois os vírus corona normalmente circulam em seres humanos do início do inverno até o início da primavera - casos de SARScoV1 atingiram o pico em abril e maio e o SARS1 foi extinto em julho no hemisfério norte. Mas... lembrem-se que outono e inverno ainda estão por vir aqui na terrinha, né, mores? Pois é...
- Os grandes contaminadores tem idade entre 20-25 anos, mas os grandes afetados são os idosos. A mortalidade geral pela doença é 3%, mas na população idosa chega a 10%. “Ahhhh, mas diarréia mata mais gente.” Verdade. Mas diarréia vc pode medicar e hidratar por via venosa com o paciente sentado numa cadeira de praia, numa situação de necessidade. Mas não consegue entubar todo mundo que precisa numa crise como a de agora por falta de leito de UTI.
Então a grande mortalidade acontece quando um monte de pessoas infectadas que tem necessidade desse tratamento chega ao mesmo tempo, excedendo a capacidade do sistema de saúde. Aí as mortes acontecem porque não há como tratar todos. E as pessoas com outras doenças tb não tem como ser atendidas, fazendo com que o corpo médico acabe tendo que escolher quem recebe tratamento (em geral, os que tem maior chance de se recuperar)!
- O isolamento social não é férias, é um comprometimento que não se pode argumentar contra usando a fala “ah, se eu ficar doente o problema é meu”. Não é. Vc vai infectar outras pessoas que podem morrer por causa disso. Vc pode infectar pessoas imunodeprimidas. Então pare de olhar só o próprio umbigo. Já temos pessoas demais que não vão conseguir se isolar por conta de obrigações profissionais. Se você pode, FIQUE EM CASA. NÃO É PRA IR PRA PRAIA nem fazer qq programação como se estivesse de férias! E se puder, continue a remunerar funcionários e demais profissionais autônomos (manicures, etc) para que os mesmos possam cumprir o isolamento ou diminuir drasticamente o tempo de trabalho.
- Pense que um número enorme de pessoas não têm acesso ao mínimo para se prevenir, como água limpa e com fornecimento ininterrupto, recursos para comprar álcool gel, permanecer em ambiente ventilado e com poucas pessoas... essa prevenção funciona pra nós, na nossa bolha. Tem gente que não tem como fazer isso, mesmo que queira. Então nós que podemos, temos que tomar a frente e tentar minimizar o contágio geral.

Então, por favor. Faça a sua parte.
#FIQUEEMCASA #isolamentosocial

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